FINANÇAS PESSOAIS

Gilberto Silva, Economista e Consultor em Finanças Pessoais, no artigo desta edição, nos apresenta um plano de emergência para quando as pessoas se encontrarem em desequilíbrio financeiro, precisando de uma rápida reestruturação no orçamento pessoal e familiar. Gilberto Silva está à disposição do leitores para responder dúvidas e receber sugestões para os próximos artigos, que podem ser enviadas para o e-mail ggus2007@hotmail.com 


ORÇAMENTO DE EMERGÊNCIA

A palavra chave para organizar o orçamento familiar é planejamento. Existem alguns princípios básicos para planejar as finanças. O primeiro deles é conhecer adequadamente as receitas e despesas mensais. Normalmente, as pessoas não conhecem esses dois pontos a fundo, sobretudo as despesas. Recomenda-se que sejam observadas primeiramente as despesas fixas, como supermercado, condomínio e a escola dos filhos, por exemplo. É preciso considerar também as despesas variáveis, como o lazer ou viagens.

Os itens de despesas mais incidentes são com Alimentação, Habitação, Vestuários e Transportes, Assistência à Saúde, Educação, Recreação e Cultura, Serviços Pessoais e Despesas Diversas. Dessa forma, será possível identificar os gastos reais e acompanhar a movimentação durante alguns meses.
Então, a partir deste levantamento geral de todas as despesas, poderemos passar para etapa seguinte que é a reorganização do orçamento pessoal e familiar, que é a classificação por grupo de despesas.

O modelo A-B-C-D em finanças pessoais.

A – Alimentação
          B – Básicas
          C – Complementares ou Contornáveis
          D –  Dispensáveis ou Desnecessárias.

• O primeiro grupo é o A que será formado pelas despesas com alimentação de sua família, identificadas como supermercado, padaria, mercearia, feira-livre e outras.
• O segundo grupo é o B de despesas básicas com moradia, aluguel ou prestação de imóvel, condomínio, água, luz, telefone, gás, manutenção da casa, portanto, indispensáveis.
• O terceiro grupo é o C de despesas complementares ou contornáveis. Estes gastos contribuem para melhorar a qualidade de vida, como vestuário, cursos, televisão a cabo, cinema, restaurante, shows.

Assim como estes itens melhoram o padrão de vida, também é verdade que em momentos de aperto financeiro poderão ser reduzidos ou eliminados temporariamente, portanto, contornáveis.

Logo, o grupo D são despesas desnecessárias ou dispensáveis, que deverão ser.
eliminadas totalmente de seu orçamento, e com a maior urgência e prioridade, pois, trata-se de gastos com juros de cartões de crédito, cheque especial, e pagamentos de contas com atraso, ou ainda empréstimos para saldar dívidas anteriores.

Observamos que as pessoas com o orçamento e as finanças em desequilíbrio requerem um processo de reeducação financeira, e reestruturação de seu orçamento.
Um ponto muito importante é evitar a compra por impulso, o crediário e o cheque especial. O cartão de crédito só deve ser usado quando oferecer vantagens, e as faturas deverão ser pagas à vista.

Os gastos A e B por natureza não podem ser eliminados, mas verifique o quanto pode ser reduzido.

Os gastos do tipo C são aqueles que gostaríamos de continuar realizando,
são despesas que nos dão prazer ou facilitam nossa vida, mas o momento é de cautela e você deve verificar se o gasto é essencial. Se for preciso, elimine ou restrinja este tipo de gasto.
Enfim, os gastos do grupo D, como juros, multas, dívidas, empréstimos devem ser eliminados totalmente de seu orçamento.

Salientamos que perder o controle de suas dívidas incorporando o limite dado por bancos e cartões de crédito como parte de sua renda familiar, a pessoa fica com a sensação equivocada de poder consumir mais do que é a sua realidade financeira.
Por outro lado, evite utilizar o cheque especial como complemento de sua renda mensal, os juros são muito altos, não vale a pena.

É preciso botar tudo na ponta do lápis, trocar as dívidas mais caras pelas de menor custo, e livrar-se dos juros. Os bancos e os cartões de crédito têm interesse em renegociar o saldo, geralmente, por um juro bem menor e parcelado.

É muito importante, que dependendo da gravidade da situação, considere a possibilidade de vender algum bem, trocar investimentos e poupança pelo pagamento de dívidas.

Faça uma reserva de emergência para os imprevistos, inicie com pequeno valor mensal. Deposite tão logo receba o salário, se esperar para o final do mês, não vai sobrar nada. Se acontecer, o resultado ao longo do tempo será surpreendentemente favorável.

O hábito de administrar o seu dinheiro é mais importante do que quanto você ganha. Diminuir custos é dificílimo e requer sacrifícios, é prolongar a gratificação futura, sendo necessário abrir mão de certas coisas no curto prazo para depois poder obter outras mais importantes no médio e longo prazo.

Todo mundo, independentemente do quanto ganha ou possui, poderá diminuir custos e poupar. Porém, é possível que todos achem um jeito e façam isso, se você não diminuir custos e não guardar dinheiro, não importa o quanto seja difícil, sua situação não vai melhorar. Verifique a maneira como você gasta cada unidade de Real e analise como é que você pode economizar para poder poupar.

Se gastarmos mais do que ganhamos, contraímos uma dívida, se ganharmos mais do gastamos temos uma poupança.

Dívida é o dinheiro que devemos aos outros, por termos feito empréstimos ou por ter comprado coisas a prazo ou em prestações, com uma promessa de que reembolsaremos o dinheiro depois, sem pagar imediatamente por isto.

A gente pode planejar o consumo, pensando antes de comprar evitando pagar juros. Aqueles que poupam e compram à vista evitam financiamentos e juros, aumentam o poder de seu dinheiro, e pagam muito menos por tudo que compram, pois podem conseguir um preço melhor.

Poupar para comprar o que queremos requer disciplina, pois, deixamos de lado o bem-estar imediato, para pouparmos antes de comprar.

O endividamento pode prejudicar toda sua vida e da família e a única alternativa para colocar as contas em dia é se conscientizar da importância de mudar a cultua financeira.
Uma boa gestão financeira é fruto de uma série de pequenas ações que levam ao controle das contas. O primeiro passo para deixar de dever é controlar os seus gastos, para saber onde se pode economizar.

O processo de reeducação financeira é demorado, assim, não desista nos primeiros obstáculos. Persistência e disciplina é o grande segredo do sucesso financeiro.

O orçamento ABCD ou “orçamento de guerra” é um plano de emergência que deve ser realizado como alternativo. Estabelecer um orçamento doméstico é uma tarefa difícil, porém fundamental para quem planeja o próprio futuro e o de sua família.

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Leia também os artigos das edições anteriores:

Roteiro para o Planejamento Financeiro Pessoal e Familiar

O Ciclo Financeiro da Vida

Orçamento Financeiro Pessoal

Planejamento Financeiro Pessoal tem a ver com projeto de vida

Finanças pessoais na volta das férias

Impacto das Mudanças Econômicas nas Finanças Pessoais


GILBERTO SILVA

Economista em Finanças Pessoais
Consultoria e Gestão Financeira Pessoal
E-mail: ggus2007@hotmail.com
Telefone: 51 97247752 – Porto Alegre-RS