FINANÇAS PESSOAIS

Neste artigo, o Economista Gilberto Silva, comenta as finanças pessoais do cotidiano, como a volta das férias, dinheiro curto, dívidas acumuladas e também as diversas alternativas de como sair do aperto financeiro. Gilberto Silva está à disposição do leitores para responder dúvidas e receber sugestões para os próximos artigos, que podem ser enviadas para o e-mail ggus2007@hotmail.com 


O inicio de cada ano se apresenta de uma forma espetacular, pois de um lado temos o período de verão, com clima tropical e expectativa de férias, convidando as pessoas para irem aos passeios e shows na cidade, além de viagens na linda região serrana ou nas praias do litoral riograndense e de Santa Catarina. Ou quem sabe o Nordeste brasileiro, apresentado em ofertas de agências de turismo, tudo em dez vezes no cartão de crédito?

Ora, já no período de Natal e Ano Novo crescem as expectativas de comemoração e de festas. Presentes para os familiares e amigos, para os amigos secretos também e, é claro, roupas especiais para a ocasião e os preparativos das festas, propriamente ditas.

E, para viajar, precisamos renovar o vestuário, revisar o veículo para o passeio, etc, ou seja, existe um alto custo financeiro para sustentar estes gastos maravilhosos! Para somar, na virada do ano temos as contas novas do IPTU, IPVA, o material e as mensalidades escolares.

Ocorre que os saldos de cartões e cheques especiais foram utilizados e, neste contexto é que se repete, a cada ano, a volta das férias: quando o dinheiro está curto, as dívidas se acumularam, e a vida continua, com a retomada dos gastos cotidianos, especialmente no supermercado. E agora? O que fazer?

Grande parte da população está endividada, especialmente pela facilidade na obtenção de crédito, pré-aprovado, que pode ser obtido pela Internet, telefone e caixa eletrônico, que possibilitam operações e saques em qualquer lugar do país, com elevadas taxas de juros.

O momento exige ações imediatas para buscar soluções que, conforme o caso, virão a curto, médio e longo prazo e a melhor maneira de evitar o endividamento é mudar a cultura financeira. Uma boa gestão financeira é fruto de pequenas ações que levam ao controle das contas.

O processo de reeducação financeira é lento e inicia com o orçamento pessoal ou familiar, por isso devemos nos manter firmes durante os primeiros obstáculos. Persistência e disciplina são os grandes segredos do equilíbrio financeiro.

O primeiro passo é controlar todos os gastos, para saber onde se pode economizar. Realizar orçamento preventivo para gastos futuros como férias, IPVA, IPTU, material escolar, mensalidades escolares, e outros imprevistos. Para tanto, é necessário organizar o fluxo de caixa, através de planilha eletrônica ou mesmo um caderno de anotações, em que sejam anotadas a previsão de entrada de valores e a previsão de gastos, mês a mês.

Devem constar os compromissos já assumidos, e as principais despesas fixas, como moradia, alimentação, saúde, transporte, educação, vestuário, veículo, impostos e lazer, dentre outros.

Através do orçamento se busca a adequação do padrão de vida à própria renda, pois gastar além de nossas posses diminui a capacidade de poupar, prejudicando o progresso e a tranqüilidade financeira. Buscar e manter o equilíbrio financeiro nos possibilita gastar menos do que se ganha, eliminar perdas displicentes de dinheiro e ficar atento a pequenos valores.

Enfim, a oportunidade de sair de situações financeiras incômodas é agora, vamos dar os primeiros passos e ver quais as alternativas possíveis? Nosso objetivo será zerar as dívidas, gastar somente o quanto se ganha, começar a poupar e futuramente poderemos aprender e começar a investir financeiramente.

Zerar dívidas é quitar todo ou parte do valor, negociar os juros muito altos por juros menores e alongar prazos como forma de ajustar o orçamento.

Se tivermos algum valor investido em poupança ou renda fixa de baixo rendimento, será oportuno abater saldos devedores e, ainda, negociar o saldo do cartão de crédito em até doze vezes, com taxa reduzida, assim como, trocar o saldo devedor do cheque especial, substituindo pelo crédito pessoal ou pelo crédito consignado.

A partir do orçamento organizado, teremos condições de revisá-lo e analisar nossa real situação financeira e orçamentária. Podemos fazer já ou agendar como prioridade, três itens: um rascunho da declaração do imposto de renda; começar a poupar; gastar somente o que se ganha, controlando o orçamento.

O primeiro é o rascunho da declaração do Imposto de Renda deverá ser preenchida com todos os dados possíveis para, a partir daí, olhar a declaração com outros olhos, ou seja do ponto de vista que nos interessa para a efetiva análise da situação patrimonial e financeira.

É a oportunidade que temos de analisar a renda bruta do ano anterior, o imposto pago, o descontado na fonte pagadora, os bens imóveis, o saldo na poupança e aplicações financeiras, os pagamentos a terceiros e possíveis deduções do imposto a pagar.

Portanto, se trata de uma ferramenta prática e muito útil, mesmo se a for declaração de isento, pois funciona como se nos olhássemos num espelho econômico-financeiro, e estabelecêssemos um perfil. E, a partir daí buscarmos alternativas para melhorar o desempenho.

O segundo item é criar uma caderneta de poupança programada para depositar até 10% do rendimento mensal, autorizando hoje mesmo o seu banco, a transferir o valor em data estipulada e incluir este depósito mensal na lista de compromissos mensais do orçamento. Assim teremos assegurada uma grande satisfação, pois uma parte ou todo o valor poderá atender a demanda de despesas no período de ano novo e férias.

O terceiro item é, a partir do orçamento organizado, poder gastar somente o que se ganha. Vamos lá, pegue lápis e papel e MÃOS Á OBRA.

Diz a lenda que o homem mais rico da Babilônia revelou o seu segredo de sucesso financeiro aos habitantes da cidade mais rica e próspera do mundo antigo. Eram soluções sábias e muito atuais de como podemos evitar a falta de dinheiro, entre elas: evitar o desperdício, buscar conhecimento, informação e aconselhamento, assegurar uma renda para o futuro, manter a pontualidade para saldar dívidas.

Através destes ensinamentos vimos que, para o sucesso financeiro, a disciplina e organização e o controle dos recursos são tão importantes nos dias de hoje, como foram durante séculos.

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Leia também o artigo da edição anterior:

Impacto das Mudanças Econômicas nas Finanças Pessoais


GILBERTO SILVA
Bacharel em Ciências Econômicas – Conjuntura e Política Econômica
Personal trainner em finanças pessoais (LabMec PUCRS)
E-mail:
ggus2007@hotmail.com  
Telefone: 51 97247752 – Porto Alegre-RS