FINANÇAS PESSOAIS

Gilberto Silva, Economista e Consultor em Finanças Pessoais, nos oferece uma abordagem interessante sobre o Ciclo da Vida na linha do tempo e o Ciclo Financeiro nas decisões de Consumo e Renda do Orçamento Pessoal e Familiar: Projetando alternativas de planejamento financeiro. Gilberto Silva está à disposição do leitores para responder dúvidas e receber sugestões para os próximos artigos, que podem ser enviadas para o e-mail ggus2007@hotmail.com 


O CICLO FINANCEIRO DA VIDA

O poeta Mario Quintana acertava ao falar sobre o ciclo da vida, e isto se comprova em alguns de seus versos, como:

“Eles passarão, eu passarinho”.

E, também:

“Fiz um acordo de convivência com o tempo,
                 nem ele me persegue... nem eu fujo dele."

O modelo ciclo da vida de Modigliani (Prêmio Nobel de Economia), baseia-se na idéia de que o consumo de um determinado período não depende da renda corrente, mas da renda auferida ao longo de toda a vida economicamente ativa.

Então, a renda dos indivíduos tende a sofrer flutuações sistemáticas ao longo do tempo. Dessa forma, o comportamento da poupança seria determinado pelo estágio do ciclo da vida em que o individuo se encontra.

Verificamos que nos estágios referentes a:

Juventude: A renda dos indivíduos é baixa, e tais pessoas, geralmente, contraem dívidas porque sabem que ganharão rendas maiores no futuro.

Na Meia idade: A renda atinge um pico e os indivíduos pagam as dívidas contraídas no período da juventude, além de pouparem para a velhice.

Na Velhice: terceira e quarta idades, a renda tende a zero, e os indivíduos consomem toda a poupança acumulada.

Sendo assim, as flutuações da renda corrente teriam impacto unicamente sobre a poupança dos indivíduos, e não sobre a sua decisão de consumo.

Em outras palavras, a decisão de consumo seria determinada pelo valor presente dos rendimentos ao longo da vida.

PERÍODOS OU ESTÁGIOS DO CICLO DE VIDA FINANCEIRO (conforme as idades)

Fase 06 /13 - Infantil Pré- aprendizado

Fase 14/23 - Adolescência Largada, formação, ganhar experiência

Fase 24/33 - Adulto Período de Tentativas

Fase 34/43 - Adulto Acumular riqueza. A vida começa aos 40.

Fase 44/53 - Meia idade O auge da Renda neste período

Fase 54/64 - Madura Preparação para as mudanças

Fase 65+ - Melhor idade Aposentadoria e pós-aposentadoria.

Verificamos que a idade adulta é o período de acumular riqueza, de ter atitude conservadora, fazer seguros e planos de saúde, como também, construir patrimônio, constituir família, assumir riscos, poupar e investir.

A teoria do ciclo da vida é apresentada como a principal motivação para demanda de longo prazo de ativos financeiros pelas pessoas, ou seja, acumular capital, pois, a queda da renda na terceira idade induziria à acumulação prévia desses ativos para financiar um padrão estável de consumo ao longo da vida.

Porém, observamos que a maioria da população brasileira cultua o hábito do curto prazo, sendo o consumismo agora e poupança mais tarde, se for possível.

Outrossim, vai ocorrer na terceira e quarta idades, caso não tenha havido um mínimo de Planejamento Financeiro, é:

  • A queda do nível do padrão de vida

  • A queima das reservas financeiras

  • A obrigatoriedade de continuar trabalhando, ou ainda,

  • A dependência de outros para manter o seu sustento.

Podendo ocorrer outros riscos como morrer muito cedo, ou viver por muito tempo e precisar de cuidados de saúde prolongados. Ocorre que estes eventos podem levar a desequilíbrios financeiros. Alguém já disse que “Pior que o fim do mundo, para mim..... é o Fim do Mês!”

O PLANEJAMENTO FINANCEIRO PESSOAL ou FAMILIAR

Particularmente, afirmo que todos os universos possíveis de finanças pessoais, cabem num orçamento financeiro.

Através de um orçamento é possível, sim, anotar e controlar os ganhos e despesas, possibilitando atingir o equilíbrio financeiro. E principalmente provocar algumas mudanças de hábito em consumo e renda. Onde tudo se resume no que se ganha e gasta; poupa e investe.

A fórmula é simples:

GASTAR MENOS DO QUE SE GANHA e INVESTIR A DIFERENÇA.

Logo após, reinvestir seus retornos compostos até atingir um nível de capital investido, para criar a renda acumulada que deseja na vida.

GASTAR MENOS DO QUE GANHA

Dizem que uma pessoa rica é aquela que gasta menos do que ganha, e uma pessoa pobre é aquela que gasta mais do que recebe.

Os primeiros passos para gastar menos são anotar exaustivamente os gastos, propondo eliminar despesas desnecessárias e fazendo enquadramento ao seu padrão de vida ou à suas possibilidades de ganho.

Este é o passo mais difícil, ou seja, como mudar um hábito, uma atitude que culturalmente existe? Já, o viver além de nossas posses, em algum momento do ciclo financeiro da vida, a conta nos será apresentada.

Por isso mesmo, o Processo é demorado exigindo de cada um, firmeza e determinação. Nestas condições, deveremos transitar por etapas do planejamento e orçamento com o seguinte raciocínio: Iniciar o efetivo controle das despesas, enquadrando o orçamento de acordo com os ganhos, pessoal ou familiar.

Buscar sempre a redução ou eliminação de despesas até que se consiga gastar menos do que se recebe. Que é o principal objetivo!

A partir daí, então, poderemos iniciar uma poupança, até atingirmos um nível de segurança para garantir as despesas do orçamento e algumas necessidades extras. E quando isso acontecer, e só o tempo vai nos demonstrar, umas partes dos valores acumulados em segurança poderão ser destinados a investimento.

Porque nesta fase do controle orçamentário estaremos, de verdade, iniciando o acúmulo de capital e recursos para as necessidades futuras. Quem sabe na terceira e quarta idade? Reta final do ciclo financeiro da vida.

No dizer do poeta é preciso fazer um acordo de convivência com o tempo de vida e (aproveitando este ensinamento para a vida econômica) os recursos financeiros, para que não seja perseguido, nem precisar fugir deles.
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Leia também os artigos das edições anteriores:

Orçamento Financeiro Pessoal

Planejamento Financeiro Pessoal tem a ver com projeto de vida

Finanças pessoais na volta das férias

Impacto das Mudanças Econômicas nas Finanças Pessoais


GILBERTO SILVA

Bacharel em Ciências Econômicas – Conjuntura e Política Econômica
Personal trainner em finanças pessoais (LabMec PUCRS)