|
FINANÇAS PESSOAIS
Neste
artigo, o economista Gilberto Silva,
aborda alguns dos temas econômico-financeiros nacionais de
grande impacto e sua relevância nas finanças pessoais dos
cidadãos, tais como o fim da CPMF, o aumento da alíquota
do IOF, a redução na tabela do IR e o alongamento dos
prazos nos empréstimos consignados. Ou seja, assuntos que
mexem com o nosso dinheiro.
Criada ainda na era FHC
como um fundo para melhorias na área da saúde pública, a
CPMF (Contribuição Provisória s/ Movimentação Financeira)
logo perdeu seu nobre propósito inicial e passou a ser
fundamental a todas as pastas do Governo. Sua extinção é
motivo de comemoração ao povo brasileiro, mas até que
ponto? O Governo deixará de arrecadar cerca de R$ 40
bilhões com o encerramento da CPMF, mas espera repor parte
deste valor com o aumento de 0,38% da alíquota sobre o IOF
(Imposto sobre operações financeiras) e sua cobrança em
operações que se encontravam com alíquotas zero ou isentas.
O que observar em nossa
economia doméstica? Algumas das operações financeiras de
Pessoas Físicas também terão acréscimo de IOF: Crédito
Consignado (descontados em folha de pagamento), Crédito
Pessoal, Crediário de Loja, Financiamento de Veículos,
Fatura de Cartão de Crédito (quando fica saldo a pagar
para o próximo mês e precisa ser refinanciado), Cartão de
Crédito utilizado no exterior, Prêmios de Seguros de Bens,
Seguro Saúde, Seguro Pessoal, o seguro obrigatório (DPVAT)
e o já preocupante Cheque Especial, cuja alíquota extra de
0,38% incidirá sobre o saldo devedor no final de cada mês.
Operações como o Resgate
de Seguros de Vida e Títulos de Capitalização perderão sua
isenção, mas o Crédito Habitacional Pessoa Física e as
operações de Leasing, por se tratarem de serviço e
não crédito, permanecem isentos. Porém, as operações de
Penhor da CAIXA agora pagam IOF e, por isto, requerem uma
maior atenção do consumidor ao realizá-las.
Observem que a estimativa
de arrecadação do IOF total é de R$ 8,8 bilhões,
incluindo operações financeiras na área empresarial.
Portanto, outras resoluções como taxação sobre Lucro
Líquido dos Bancos e cortes de gastos do Governo Federal
buscarão compensar a perda de receita como fim da CPMF, em
uma tentativa de equilibrar o orçamento da União proposto
para 2008.
Cabe lembrar que a tabela
do Imposto de Renda Pessoa Física, foi corrigida em 4,5%,
igualando-se ao índice de Meta de Inflação para 2008. Isto
é favorável, portanto, aos contribuintes desta modalidade,
pois o desconto mensal do IR na fonte (nos salários)
ficará um pouco menor, resultando em mais dinheiro no
bolso do assalariado.
Quanto à renda pessoal, o
que se verifica nos primeiros estudos sobre o fim da
cobrança da CPMF, o resultante aumento do IOF em muitas
operações de crédito e a correção na tabela do IR é que
teremos um adicional de ganho de renda. De que modo? Até
então o governo recolhia, em média, R$ 190,00 de cada
brasileiro com a cobrança da CPMF, mas com sua extinção
recolherá, em média R$ 45,00 (com o IOF).
Ora, considerando que a
maioria dos consumidores brasileiros não costuma calcular
as taxas sobre qualquer operação financeira, esta “sobra”
nos salários pode passar desapercebida, sem nos atentarmos
à diminuição do desconto do IR e ao o custo do IOF
embutido na prestação do crediário. O cidadão comum deve
habituar-se a pensar a médio e a longo prazo em sua
economia doméstica, planejando suas compras e calculando
as taxas abusivas cobradas pelas lojas em geral e pelas
demais instituições de crédito; deixando de lado o
imediatismo das mensalidades a serem pagas, sem calcular
os juros embutidos nelas.
Mais atenção ainda
devemos ter em relação ao Crédito Consignado para
Aposentados e Pensionistas do INSS: as novas regras do
Ministério da Previdência indicam que a principal mudança
será a redução do limite de endividamento de 30% para 20%
sobre o valor de aposentadoria ou pensão para empréstimos
e as operações com cartão de crédito consignado
estabelecido em 10% do valor do benefício. O prazo de
financiamentos foi alterado de até 36 para até 60 meses,
sendo que sobre as operações com maior prazo a
conseqüência serão as taxas de juros maiores, ou seja,
2,64% a.m. para empréstimos e 3,70%a.m. para cartão de
crédito consignado.
Os Bancos credenciados
operam muito pouco com cartão de crédito consignado, já os
empréstimos com desconto em folha de pagamento representam
57% de todo o crédito pessoal oferecido no país. Segundo o
Banco Central, mais de 8,7 milhões de aposentados foram
atendidos, desde seu inicio, em maio de 2004 (na era
LULA), totalizando de R$ 30 bilhões de Reais em operações.
À luz dos temas aqui
abordados, fica o sentimento do quão pujante se encontra a
economia brasileira, principalmente no que se refere ao
controle da inflação, já que seu índice foi inferior ao
estabelecido nas Metas de Inflação do Banco Central (4,5%
a.a). Isto possibilita que nossa moeda mantenha o valor de
compra. Assim, conjugados o aumento do número de postos de
trabalho e a baixa gradativa dos juros básicos (taxa selic
prevista em 10,25 % a.a em 2008), possivelmente, o Brasil
atingiria o patamar das maiores economias do mundo, cujas
taxas de juros básicos não ultrapassam os valores de um
dígito.
A partir disso, espera-se
uma melhora no nível de vida e bem estar para a maioria da
população brasileira. Espera-se...
GILBERTO SILVA
Bacharel em Ciências Econômicas – Conjuntura e
Política Econômica
Personal trainner em finanças pessoais (LabMec
PUCRS)
E-mail:
ggus2007@hotmail.com
Telefone: 51 97247752 – Porto Alegre-RS
|