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Blog
da Vera Milman |
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UM
GRENAL INESQUECÍVEL
Quando cursava Jornalismo
na PUC, por volta de 1975, eu e minha colega de faculdade,
Liane dos Santos, de Itajaí – SC, resolvemos ir a um
GRENAL, no Estádio Olímpico. Era a primeira vez que íamos
a um GRENAL, ao vivo e a cores.
Quando chegamos,
estacionamos o carro e procuramos aqueles vendedores de
bandeiras que ficam ao redor. Cada uma comprou a sua
bandeira e nos dirigimos ao portão, sem sabermos que não é
qualquer portão que se pode ir entrando assim... Subimos
as escadas, pegamos à direita quando, de repente, nos
demos conta que estávamos no setor da arquibancada
reservada à torcida colorada.
O primeiro impulso foi dar
meia-volta e fugir dali, mas a minha amiga muito da
“metida”, se “achando” resolveu “encarar”, continuou
andando, na maior cara-de-pau, eu fui compelida a
acompanhá-la, amiga é para estas coisas!
Fomos xingadas de todos os
jeitos possíveis e imagináveis, além de muitas vaias. Mas,
continuamos firmes até chegarmos ao outro lado onde havia
um outro portão onde as pessoas iguais a nós estavam –
os gremistas. Só que, o PORTÃO que dividia os
bons dos maus não abria. Conclusão, tivemos que
retornar ao ponto inicial, isto é,
passar pelo mesmo caminho vexatório de antes. Fizemos isso
abaixo de mais vaias! Juro, não sabia
se eu ria ou se eu chorava daquela situação ridícula.
Lembro que, a sensação naquela hora, era de achar um
buraco para me esconder e que todos os olhos do mundo
estavam voltados para nós. Terrível, angustiante, mas ao
mesmo tempo, hilário!!!
Quando chegamos ao ponto de
onde tudo começou, decidimos nos informar sobre o caminho
certo, onde deveríamos estar desde o princípio, junto com
os torcedores do nosso time. Finalmente, conseguimos
sentar para assistir ao jogo que já havia começado.
Permanecemos no estádio até a metade do segundo tempo. O
Grêmio estava perdendo. Em seguida começou a cair uma
chuva que mais parecia um dilúvio. Não deu outra, nos
olhamos e rapidamente pegamos nossas coisas, inclusive as
bandeiras que de tão molhadas não se abriam mais e lá no
íntimo sabíamos que aquele não era um bom dia. Demos azar!
Encharcadas até os ossos,
saímos dali loucas para chegarmos ao carro e voltarmos
para casa sãs e salvas.
Qual foi o resultado
daquela partida? Não sei, não lembro e tenho raiva de quem
sabe. Quero esquecer aquele GRENAL!
Eu nunca tinha sido vaiada,
primeira e última vez (espero)! Aprendi que nem tudo é
perfeito, os colorados também têm espaço no Olímpico
quando é GRENAL.
23/10/2008
O que
vai acontecer depois deste turbilhão que está ameaçando a
economia mundial?
Eu não entendo
muito de economia, mas acho que não é preciso ser
especialista para enxergar que conseqüências, nada
agradáveis, poderão nos atingir em “cheio”, trazendo
preocupações tanto para o trabalhador, o profissional
liberal, como para o empresário, seja ele pequeno, médio
ou grande.
O meu
medo é a recessão e não a inflação. A falta de emprego
traduz o escasso dinheiro na mão das pessoas, isto é,
compra-se menos, as dívidas se acumulam, os compromissos
assumidos são protelados, ficam para segundo plano,
aguardando uma definição do mercado. Sempre ele: o “Senhor
Mercado”.
É ele que nos
paralisa ou nos move. Dependemos dele para tomarmos
decisões que podem nos favorecer ou que, no mínimo, não
nos causem grandes problemas.
Como
podemos nos proteger? Falo de pessoas que, como eu,
classe média, com pouco lastro monetário, que, quando
consegue juntar algum dinheiro, fruto de muito trabalho e
esforço pessoal, coloca na Poupança, pois sabe que hoje é
o investimento com menor risco. Para que possamos passar
por esta crise, sem traumas, a receita mais segura no
momento é o controle e o enxugamento das nossas despesas
pessoais e familiares. Sem querer ser pessimista, mas
apenas realista, a receita serve para todos os níveis e
agora mais ainda, quando todas as transações comerciais ou
de negócios devem ser revistas e observadas com muito
cuidado e sem pressa
O que
eu fiz? Há cerca de 4 meses tratei (parece que estava
adivinhando) de eliminar meu Cartão de Crédito. Juntei a
grana e paguei tudo, de uma vez só, pra não ficar devendo
mais nada. Eu pagava, pagava todo o mês, mais do que o
mínimo estipulado e sempre devia... Cada fatura que
chegava, a sensação era como seu fosse uma idiota. Foi
quando tomei a decisão de abortar esta sangria. Valeu!
Depois de 2 meses fiz a mesma coisa com outro Cartão,
desta vez era de uma loja de
departamentos, que também me tirava do sério na hora de
pagar a fatura, era juro sobre juro... Acabei com a farra
liquidando a dívida total. O segundo passo foi jogar fora
os cartões. Me senti muito bem!! Fiquei sem dinheiro na
carteira por um tempo, mas valeu a pena. Um mês depois já
estou me recuperando e me sentindo dona da situação. Não
caio mais nestas arapucas. Atualmente, junto o dinheiro e
compro à vista ou no máximo em 3 vezes, se não tiver juros
embutidos. Claro, demora um pouco mais para se adquirir o
que se quer, mas este exercício, de conter os gastos, de
aguardar o momento certo, é muito salutar. Eu passei a
me considerar mais esperta, menos
suscetível ao consumo imediato.
19/10/2008
A BUBA –
MINHA CADELINHA DO CORAÇÃO
    
Quando o Luis,
meu marido, trouxe um cachorrinho para dentro de casa,
comprado em uma Loja no centro da cidade, eu quase tive um
“troço”!
- Leva de volta. Não quero cachorro dentro de casa. Não
sei cuidar... Foram muitas as minhas reclamações. As
crianças, na época o Michael com 7 anos e o Francisco com
13, ficaram apaixonados. – Mãe, não é um cachorrinho é uma
cadelinha!! Como se isso fosse fazer a diferença sobre
minha decisão. O Luis ficou de devolver no outro dia, mas
eu já sabia, de antemão, que era conversa para “boi
dormir”. Ele estava só me enrolando, sabendo que eu ia me
apegar ao bichinho e não querer que ela fosse devolvida.
Não deu outra!
O segundo passo, depois de aceitar a permanência dela em
casa – só tinha um mês de vida – foi dar um nome que
correspondesse a fofura que ela era. Um “cocker spaniel”
com pelos dourados, amarelo-queimado, com longas
orelhinhas e um olhar de “mamãe eu quero colo”! Escolhemos
chamá-la de “Bubale” (em ídishe quer dizer Bonequinha).
Acabou que ficou reduzido para Buba.
Foram 14 anos e meio vivendo conosco em nosso apartamento.
Era a bebê da casa, a meninha da casa, a vida da casa. As
crianças cresceram, ela também, mas sempre pequeninha,
sempre danadinha. Foi tão mimada por todos, principalmente
por mim. Quando saíamos com ela para passear no parque ou
qualquer outro lugar, as pessoas paravam para fazer um
agrado, dizer que era ela linda, faziam propostas para
acasalamento, mas nunca deixei que ela namorasse. Acho que
porque sabia que se ela tivesse filhotes eu não poderia
dá-los, ficaria com todos por causa dela. E isso estava
fora de cogitação.
Nestes anos ela sempre foi super-saudável. Sem necessidade
de muitas idas a Veterinária. Até que há 2 anos atrás ela
começou um processo de cegueira. Não havia o que fazer.
Depois veio a surdez. Mas o faro era o grande aliado dela.
Andava pela casa, sabia de todos os locais por onde
passar, desviar de móveis, chegar ao sofá onde deitava à
tarde, na poltrona onde dormia à noite (quando não estava
na minha cama dormindo comigo, aos meus pés), onde estava
a vasilha para beber água, a refeição do meio-dia, da
noite. Nada parecia abalá-la. A única coisa é que ficou
mais impertinente, mais intolerante com pessoas estranhas.
Não suportava a presença de pessoas pouco conhecidas em
nosso convívio.
Neste inicio de ano, janeiro ela apresentou um quadro
muito estranho que mudou drasticamente o seu
comportamento. Foi logo em seguida que o Francisco viajou
para Israel. Começou a ter problemas neurológicos. Levamos
na veterinária e foi receitado muitos medicamentos e ela
só piorava. Foi quando um dos remédios acabou e resolvi
não comprar mais e ver o que acontecia. Pois aí que ela
deu início a uma melhora considerável. Tirei mais outros
medicamentos e ela ficou só com o remédio para o coração,
ela era cardíaca.
A partir de fevereiro ela voltou ao seu normal, mais
envelhecida claro, mas com um comportamento aceitável. Meu
filho, que sempre foi muito agarrado a ela , pedia que ela
ficasse bem até o dia que ele viesse nos visitar pois
queria vê-la do jeito como ele tinha deixado antes de
viajar.
Deu tudo certo. Ele chegou no final de agosto, curtiu a
cachorra e dois dias antes de ele voltar para Israel ela,
subitamente, teve convulsões sérias que tentamos controlar
com os remédios, mas não deu resultado. Todo o quadro de
problemas neurológicos voltou,e ainda pior. Não tivemos
outra opção, depois de ouvir outro veterinário, senão de
recorrermos a eutanásia, pois não agüentávamos vê-la
sofrer.
Nunca pensei que tomar esta decisão fosse tão dolorido,
tão sofrido! Voltar para casa sem ela. Saber que ela não
estaria mais com a gente, que quando abrisse a porta ela
não estaria ali esperando por mim...É algo muito, mas
muito triste. Isto aconteceu dia 30 de setembro. Faz cinco
dias que ela se foi e é o primeiro dia que não choro
desavergonhadamente.
O sentimento de perda é terrível! O jeito agora é
aprendermos a viver com as lembranças maravilhosas que ela
nos deixou, do amor incondicional que ela me dedicou e
seguir levando a vida. Não temos alternativa. Nem as
plantas, nem nossos animaizinhos de estimação, nem as
pessoas que amamos podem permanecer conosco o tempo que
gostaríamos, mas segundo suas próprias condições.
As fotos que temos dela são muitas, não sei se serão
suficientes para matarmos a saudade, mas devem, pelo
menos, suavizar um pouco a nossa dor.
06/10/2008
A PAIXÃO
DEPOIS DOS 50
Uma amiga muito querida, também jornalista, me fez uma
confidência, dias atrás, que me deixou pensativa. Ela se
apaixonou por um colega de trabalho depois de muito tempo
estar separada do pai de seu filho. Com 51 anos a paixão
lhe trouxe todas as emoções e sensações que pensou estarem
esquecidas. Eu confesso, fiquei muito apreensiva porque o
colega já era casado. Mas ela considera que não poderia
esconder este sentimento justo de quem é a causa dele. Até
poemas ela escreveu para expandir e dar eco a suas novas
emoções, próprias de quem vive este momento tão especial.
No caso desta minha amiga, chegar aos 51 anos e se
apaixonar novamente pode ter uma grande diferença ou
nenhuma. Depende do ângulo em que a situação é analisada.
Quando nos perdemos em um sentimento tão forte a tendência
é nos deixar levar por ele e esquecermos as conseqüências
que, mais adiante, surgem escancaradas para nos cobrar. A
“paixonite aguda” não nos deixa enxergar os fatos como
eles realmente se apresentam.
Ao mesmo tempo, estar apaixonada é se sentir fazendo parte
da vida de um modo galopante. O jeito, então, é VIVER o
momento, embora em conflito permanente, que exige muito da
pessoa apaixonada. Exige que se continue lúcida, sem
perder as rédeas dos acontecimentos.
Escrever poemas, sentir frio na barriga, sonhar, imaginar,
desejar, tudo isso faz parte de uma experiência que,
independente de quantas vezes ela se apresenta e com que
idade ela nos pega, sempre será intensa.
Tem mais uma verdade nesta história. É preciso muita
coragem para viver e não ter medo de se perder, de falar
de seus sentimentos sem ter medo da rejeição ou do que os
outros vão falar. Nada importa! O que importa é que com 51
anos é possível entrar de cabeça e sair com dignidade
desta aventura. Vale à pena conjugar outros verbos, tantos
quantos forem eles, e que lembrem o maior de todos: AMAR!
25/05/2008
QUEM NÃO GOSTA
DE FUTEBOL?
Muitos, mas, mesmo assim, ele é o esporte mais popular em
nosso país, que concentra as maiores paixões e as maiores
polêmicas.
Gosto de ouvir os jogos pelo rádio. Eu não costumo ver o
jogo na televisão, fico nervosa! Mas estou sempre ligada
nas notícias, ouço as entrevistas coletivas dos técnicos,
ouço os comentários dos “entendidos” na matéria, acompanho
todas as reportagens possíveis sobre o futebol gaúcho.
Sei identificar uma parte dos motivos que fazem com que o
time perca e passa a ser criticado pela imprensa e pelos
torcedores.
Agora, se tem uma coisa que me chateia em futebol é a
quantidade de gente que gosta de dar palpite e se acha o
“sabe-tudo” no assunto. Isso é perceptível nos
comentaristas esportivos que se comportam como se fossem
seres privilegiados. Eles pensam que podem demitir
técnico, contratar jogador, escalar o time, etc. Quase
todos, sem exceção, pecam por vaidade. O fato de estarem
em uma emissora de rádio ou TV, com o microfone na mão,
faz com que eles se sintam criaturas acima do bem e do
mal.
É só observarmos o que aconteceu com o técnico do Grêmio –
coitado! Às vezes, penso que falta um pouco de sorte pra
ele. Mas não vejo nele um técnico burro, como a torcida
gosta de chamá-lo e que a imprensa faz questão de
reproduzir. Fizeram de tudo para que ele caísse depois
daquelas duas derrotas: Copa do Brasil e Gauchão. Pra mim,
o técnico não é o único culpado quando um time vai mal.
Vitórias e derrotas são responsabilidades coletivas.
Tem muita coisa em futebol que nem o torcedor e nem a
imprensa estão alertados. São questões pertinentes à
comissão técnica e a direção do Clube, que não são
repassadas ao restante dos interessados. Normal!
Compreensível!
Penso que todos devem fazer seu trabalho do modo mais
honesto e respeitoso possível, as cobranças, as críticas
fazem parte dele e de quem está no negócio. Mas estamos
lidando com a honra de pessoas e do jeito como falam,
comentam e criticam parece que algumas destas pessoas não
têm alma, não têm sentimentos, são filhos de
chocadeiras!!! Cadê o respeito??!!
Eu sou GREMISTA desde pequenininha, quando meu pai me
levava aos jogos que ele apitava (ele foi técnico e juiz
de futebol). Fica claro o porquê do meu interesse desde
muito cedo.
Meu marido é um colorado doente e meus dois filhos são
loucos pelo Internacional. Aprendi a não torcer contra o
Inter em jogos que não comprometem as partidas do Grêmio,
óbvio. Até porque, quando o Inter ganha tudo fica mais
fácil aqui em casa, o bom humor impera na família
Quando temos GRENAL as coisas se complicam um pouco. Eles
na sala vendo na TV e eu no quarto, com porta fechada,
ouvindo no rádio. E salve-se quem puder!
25/05/2008
SOU CONTRA
AS CARROÇAS. MAS....
Já assinei muitas petições a favor do fim das carroças nas
ruas de Porto Alegre. Observo que a maioria dos
carroceiros não trata bem seus animais e morro de pena dos
cavalos que andam, sem parar, por muitas horas seguidas,
faça chuva ou faça sol. É triste de ver. Mas ao mesmo
tempo é preciso pensar nestes indivíduos que sobrevivem do
trabalho coletando papel, garrafas, latinhas e outros
materiais para reciclagem. Como tirar o sustento deles,
que já é pouco, e substituir por outro? Outro qual?
Estas pessoas catadoras de lixo limpo fazem um grande
favor para a sociedade coletando, separando, vendendo para
as usinas esta quantidade enorme de lixo que jogamos fora.
Ao mesmo tempo, Porto Alegre não comporta mais as carroças
pelas ruas da cidade, convivendo lado a lado com outros
veículos maiores e mais potentes. Além de atrapalharem o
trânsito, trazem insegurança a pedestres e motoristas.
Como resolver esta questão? Não vai ser um “canetaço” dos
vereadores que vai resolver a situação, não permitindo, de
uma hora para outra, o trânsito das carroças no perímetro
urbano. Acho que a sociedade tem que pensar junta em como
solucionar o problema. Tem que ser bom para nós que não
queremos nos deparar mais com as carroças na cidade e para
os condutores delas que não podem ficar sem o sustento e
depois virarem marginais e quem sabe até bandidos.
Não é fácil, mas temos que encontrar propostas plausíveis
para serem colocadas em práticas em um tempo a ser
definido pelo conjunto dos interessados. EU SOU CONTRA AS
CARROÇAS, MAS PRIMEIRO TEMOS QUE RESOLVER O QUE FAZER COM
ESTE “POVO” QUE VIVE DELAS. NÃO PODEMOS TERMINAR COM UM
PROBLEMA E CRIAR OUTRO.
25/05/2008
OS
DOMINGOS PRECISAM DE FERIADOS *
Toda sexta-feira à noite começa o shabat para a tradição
judaica. Shabat é o conceito que propõe descanso ao final
do ciclo semanal de produção,inspirado no descanso divino,
no sétimo dia da Criação.
Muito além de uma proposta trabalhista, entendemos a pausa
como fundamental para a saúde de tudo o que é vivo.
A noite é pausa, o inverno é pausa, mesmo a morte é pausa.
Onde não há pausa, a vida lentamente se extingue.
Para um mundo no qual funcionar 24 horas por dia parece
não ser suficiente,onde o meio ambiente e a terra imploram
por uma folga, onde nós mesmos não suportamos mais a falta
de tempo, descansar se torna uma necessidade do planeta.
Hoje, o tempo de "pausa" é preenchido por diversão e
alienação. Lazer não é feito de descanso, mas de ocupações
"para não nos ocuparmos". A própria palavra entretenimento
indica o desejo de não parar. E a incapacidade de parar é
uma forma de depressão.
O mundo está deprimido e a indústria do entretenimento
cresce nessas condições. Nossas cidades se parecem cada
vez mais com a Disneylândia.
Longas filas para aproveitar experiências pouco
interativas. Fim de dia com gosto de vazio. Um divertido
que não é nem bom nem ruim. Dia pronto para ser esquecido,
não fossem as fotos e a memória de uma expectativa
frustrada que ninguém revela para não dar o gostinho ao
próximo..
Entramos no milênio num mundo que é um grande shopping. A
Internet e a televisão não dormem. Não há mais insônia
solitária; solitário é quem dorme.
As bolsas do Ocidente e do Oriente se revezam fazendo do
ganhar e perder, das informações e dos rumores, atividade
incessante. A CNN inventou um tempo linear que só pode
parar no fim.
Mas as paradas estão por toda a caminhada e por todo o
processo. Sem acostamento, a vida parece fluir mais rápida
e eficiente, mas ao custo fóbico de uma paisagem que
passa. O futuro é tão rápido que se confunde com o
presente.
As montanhas estão com olheiras, os rios precisam de um
bom
banho, as cidades de uma cochilada, o mar de umas férias,
o domingo de um feriado...
Nossos namorados querem \'ficar\', trocando o \'ser\' pelo
\'estar\'. Saímos da escravidão do século XIX para o
leasing do século XXI - um dia seremos nossos?
Quem tem tempo não é sério, quem não tem tempo é
importante. Nunca fizemos tanto e realizamos tão pouco.
Nunca tantos fizeram tanto por tão poucos...
Parar não é interromper. Muitas vezes continuar é que é
uma interrupção.
O dia de não trabalhar não é o dia de se distrair -
literalmente, ficar desatento. É um dia de atenção, de ser
atencioso consigo e com sua vida. A pergunta que as
pessoas se fazem no descanso é: o que vamos fazer hoje? já
marcada pela ansiedade.
E sonhamos com uma longevidade de 120 anos, quando não
sabemos o que fazer numa tarde de Domingo.
Quem ganha tempo, por definição, perde. Quem mata tempo,
fere-se mortalmente. É este o grande ''radical livre" que
envelhece nossa alegria - o sonho de fazer do tempo uma
mercadoria.
Em tempos de novo milênio, vamos resgatar coisas que são
milenares.
A pausa é que traz a surpresa e não o que vem depois.
A pausa é que dá sentido à caminhada.
A prática espiritual deste milênio será viver as pausas.
Não haverá maior sábio do que aquele que souber quando
algo terminou e quando algo vai começar.
Afinal, por que o Criador descansou? Talvez porque, mais
difícil do que iniciar um processo do nada, seja dá-lo
como concluído.
* Texto do Rabino Nilton Bonder, da Congregação Judaica
17/05/2008 |
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PASSEIO NO BRIQUE E NA FEIRA ECOLÓGICA
Em um destes sábados que fui à Feira Ecológica, da José
Bonifácio, estavam distribuindo uma Cartilha de Educação e
Formação de Consumidores Conscientes - “Manual do
Consumidor Consciente”, de iniciativa do PROCON de Porto
alegre junto com outros órgãos. Peguei meu exemplar, com
muito gosto! Têm várias dicas para facilitar a nossa vida
e esclarece pontos importantes: como usar o direito do
arrependimento depois de uma compra? Você sabe? O direito
de arrependimento somente pode ser usado para compras
realizadas fora do estabelecimento comercial, por exemplo:
aquelas realizadas através do catálogo, internet,
correspondência, telefone, etc. Até o prazo de 7 dias,
você poderá desistir da compra e devolver o produto,
recebendo seu dinheiro de volta.. Esta e outras questões
são respondidas com objetividade e clareza neste Manual. E
no domingo fui ao Brique! É sempre uma festa passear no
Brique. Reparar naquela gente toda, de todas as tribos e
cores. Jovens, crianças, velhos, cachorros, cachorrinhos e
cachorrões; apresentações de grupos de música, capoeira,
bonecos, voluntários oferecendo serviços gratuitos para
medir a pressão – A Campanha de Prevenção à Doença Renal
estava sendo difundida entre os passantes. Aproveitei e
entrei na barraca para medir minha pressão. Qual não foi a
surpresa quando disseram que ela estava alta. Conclusão:
sou mais uma candidata à Hipertensão. Agora começo uma
série de exames e meço a pressão um dia sim e outro não,
para apresentar uma tabela ao médico e saber se realmente
é pressão alta ou foi um caso esporádico. Não dá para
vacilar!
O que fica desta história toda é que, resumindo, chegamos
a uma idade, que cada vez mais é preciso consultar
médicos, realizar exames, tomar medicamentos, equilibrar a
vida pessoal com a profissional, fugir do estresse,
controlar o colesterol, os triglicerídios, enfim, ser
competente na gestão da própria saúde e estilo de vida, se
quisermos viver mais e com qualidade.
18/04/2008 |
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MIMOS DA INTERNET
Recebo por e-mail muita coisa interessante, outras nem
tantas, e outras um lixo. Destes mais recentes selecionei
algumas “frases-pensamentos” que servem para uma breve
reflexão. Dizem que a autoria é de Fernando Pessoa - o
maior dos Poetas, em minha opinião. Mas não tenho certeza
disso. O que importa é que elas são um “mimo”, que divido
com vocês.
-
Admire a LUA. Sonhe com ela. Mas não queira trazê-la para
a Terra.
-
Curta o SOL. Se deixe acariciar por ele. Mas lembre-se
que seu calor é para todos.
-
Sonhe com as ESTRELAS. Apenas sonhe. Elas só podem
brilhar no céu.Não tente deter o VENTO. Ele precisa correr por toda a
parte. Ele tem pressa de chegar.
-
Abra todas as janelas que encontrar. E as portas também.
-
Descubra-se todos os dias. Deixe-se levar pelas vontades.
Mas não enlouqueça por elas.
-
Procure. Sempre procure o fim de uma história. Seja ela
qual for.
-
Não se acostume com o que não o faz feliz. Revolte-se
quando julgar necessário.
-
Alague seu coração de ESPERANÇA. Mas não deixe que ele se
afogue nelas.
18/04/2008 |
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SOBRE O
LIXO NAS RUAS
Gente, eu não agüento mais ver o lixo nas calçadas. Tudo o
que deveria estar dentro do saco de lixo, de uma lixeira
fica espalhado pelas ruas. O que é isso??? A vontade que
tenho, às vezes, é pegar uma vassoura e sair varrendo que
nem uma louca, para tornar o passeio público menos
chiqueiro. Pelas ruas onde passo diariamente, que ficam
nos bairros Rio Branco, Bom Fim, o lixo nas calçadas é de
envergonhar qualquer cidadão descente.
Está faltando uma Campanha de Educação para ensinar este
povo a cuidar melhor do local onde vive. Leis que obriguem
os proprietários a cuidarem das calçadas em frente as suas
residências, condomínios, lojistas...(acho até que já
temos leis para isso só não são respeitadas). Temos que
nos sentir indignados, agredidos quando uma pessoa, na
maior cara-de-pau, na nossa frente joga um papel de bala
na rua, um maço de cigarro amassado, casca de fruta, etc.
Quando isso acontece não fico quieta, nem faço de conta
que não é comigo, solto o verbo. Claro que já levei muito
xingão, tipo: “O que tu tens que ver com isso, cuida da
tua vida, a calçada não é tua...” e por aí vai. Não
sou barraqueira, mas têm vezes que temos que passar por
cima de certas delicadezas e fazer com que aquela pessoa
sinta vergonha do ato que cometeu. O jeito é responder à
altura, sem agredir (a vontade nem sempre é esta, mas...)
e dizer: A CALÇADA NÃO É O CHÃO DA TUA CASA, SEU PORCO!
Quem sabe, num outro dia, esta criatura pense duas vezes
antes de cometer o mesmo gesto e perceba em um outro rosto
uma pessoa que estará disposta a lhe chamar a atenção
também, com delicadeza, é claro!
18/04/2008 |
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COMPARTILHAR SEUS CONHECIMENTOS É UMA MANEIRA DE CONSEGUIR
A IMORTALIDADE
Tem gente que não aprecia dividir o que sabe com outras
pessoas. Isso pode acontecer em qualquer situação: na
receita culinária que a amiga forneceu, mas só não contou
o “segredinho” para que ela ficasse maravilhosa. Ou, o
colega de trabalho que escamoteia informações e pensa
“cada um que se vire, eu tive que aprender tudo sem ajuda
de ninguém”. Exemplos não faltam. Quando você encontra
quem não tem este perfil egoísta, pode apostar que esta é
uma pessoa generosa, confiante e, por isso mesmo, não tem
medo da concorrência. Ela divide de bom grado seus
conhecimentos para que mais pessoas possam se beneficiar
deles. Não estou falando de informações privilegiadas que
se repassadas podem fazer com que você perca seu emprego,
perca um amigo, etc.. Falo das questões do cotidiano,
daquelas que podem facilitar a vida do outro com um gesto
de boa-vontade. Mas não, tem gente que prefere esconder os
detalhes, só conta o estritamente necessário, como se o
“poder” emana daquilo que não foi dito, como se o
conhecimento fosse para os iluminados, os escolhidos. Para
estas pessoas o que falta é S-A-B-E-D-O-R-I-A.
NINHO VAZIO
O que podemos fazer quando um filho adulto, solteiro, que
sempre viveu em casa dos pais, resolve ir morar longe, no
exterior? Pois eu estou vivendo esta situação. Meu filho
mais velho está em Jerusalém (Israel) faz um pouco mais de
um mês. A saudade é muito grande, ficou um vazio, um
buraco... Para que pudéssemos superar esta ausência física
recorremos aos meios eletrônicos que só a Internet nos
oferece, e assim podemos conversar e vê-lo na tela do
computador e matar a SAUDADE! Ele está bem, feliz, fazendo
o que gosta. E este é o nosso alento. Já ouvi diversas
vezes: criamos os filhos para o mundo não para nós. Dito e
feito, o Francisco agora “caiu no mundo”, e provavelmente,
deverá criar outros laços, outros afetos. Construir uma
nova rede de relacionamentos. Não vamos poder acompanhá-lo
de pertinho, o jeito é confiar na educação e no carinho
que nunca faltou e torcer para que ele conduza sua vida da
melhor maneira possível.
QUEM AGÜENTA MÃE DE ESTUDANTE QUE PASSOU NO VESTIBULAR
DE MEDICINA DA UFRGS?
Pois é. Estou me sentindo nas nuvens, nos céus, no jardim
das flores com os melhores perfumes. Depois de algumas
tentativas, na terceira, o meu filho Michael passou no
Vestibular de Medicina na UFRGS. A sensação é incrível!
Ver que o empenho dele, a determinação e principalmente a
disciplina para os estudos resultou em sua classificação
para uma das melhores Universidades deste país. Mesmo com
as cotas. É como se ele tivesse tirado um peso muito
grande de cima dos ombros. Fica o sentimento de dever
cumprido. Ele sempre quis cursar medicina e sabia que isso
só seria possível entrando para uma Universidade pública,
porque na particular seria inviável. Valeu a persistência.
Desistir jamais, por mais difícil que seja. Como pais o
nosso papel foi dar tranqüilidade para que ele pudesse
correr atrás do resultado e torcer para que tudo desse
certo. Mas que é angustiante, sofrido não há dúvida. O
importante é que o objetivo foi alcançado e com sucesso!
Depois é só saborear a vitória e o orgulho de dizer: Meu
filho passou no vestibular de Medicina da UFRGS!
VOCÊ CONHECE A LEI DOS 3 "R"?
Respeito a você mesmo
Respeito aos demais
Responsabilidade para todas as suas ações
Veja que fácil. Se você segue estas 3 regrinhas, com
certeza você é uma pessoa de muitas qualidades além das
citadas acima. Quando penso que na vida as coisas são mais
simples do que imaginamos, que proceder de modo correto é
menos complicado do que agirmos de má fé, de que sermos
sinceros, honestos, verdadeiros nos traz menos problemas
do que sermos mentirosos, enganadores... Contudo, uma
parcela de cidadãos prefere conduzir suas ações sem
nenhuma responsabilidade com os outros. Falo daquelas
pessoas que sujam as ruas, picham monumentos, pisam na
grama, furam fila, são grosseiros, se acham donos da
razão, não se comprometem com nada com medo de serem
cobrados depois, não devolvem o que pegaram emprestados,
etc., etc. Eles se sentem espertos, vivem como se
estivessem acima do bem e do mal! Por acaso você conhece
alguém com este tipo de atitude? Eu conheço alguns. A
impressão que tenho é que estas pessoas desconhecem o
termo RESPEITO. Será que eles sempre se darão bem na vida?
Ou a vida se encarregará de puni-los?
UM BAÚ ESCONDIDO
Quando jovem eu acreditava que a maldade deveria ser
justificada. Para cada má ação um motivo pior deveria
existir. Hoje penso diferente. Nada justifica uma maldade.
Os noticiários estão repletos de histórias dramáticas,
trágicas que abalam famílias, vidas inocentes. Como
sobreviver a uma coisa dessas? Quando vejo na televisão
uma mãe relatando ao repórter as circunstâncias da morte
trágica de um filho assinado, eu me pergunto: como ela
conseguiu juntar forças para expressar seu drama? Eu, com
certeza, não teria condições físicas e mentais para me
comportar de forma normal depois de uma tragédia com estas
proporções.. Mas sempre acreditei na superação do ser
humano. Quando parece que nada mais tem sentido, buscamos
forças em um “baú” improvisado, que fica dentro de nós e
que só vem à tona em momentos muito difíceis. É ele que
nos permite continuar tocando a vida, quando tudo ao nosso
redor nos mostra ao contrário. Que todos tenham este BAÚ
escondido dentro de si e, de preferência, que NUNCA
precisemos abri-lo.
NO TOPO DO MUNDO
Tenho uma amiga que vive no exterior. Casou e foi morar na
Europa com o marido. Depois vieram os filhos e lá ela foi
ficando. Na Europa ela se tornou mais sofisticada, mais
seguidora das regras sociais. Toda vez que vinha ao
Brasil, Porto Alegre, sua cidade natal, ela convidava as
amigas de juventude para uma reunião na casa da mãe dela.
E lá íamos todas para saber das novidades e ansiosas pelos
presentinhos que ela sempre trazia para cada uma de nós.
Na sua última visita nem todas puderam estar com ela no
mesmo dia. A mim coube fazer-lhe um convite para
almoçarmos em um local que imaginei fosse adequado para a
ocasião. Quando entramos no restaurante, havia mesas na
calçada, a minha sugestão foi que nos acomodássemos em uma
mesa ao ar livre, o dia estava maravilhoso, sem vento. A
resposta dela foi categórica e sem vacilação: Não! Nunca!
Eu não vou dar aulas de etiqueta à mesa de graça! Quem me
conhece sabe que não suporto arrogância, mas aquilo me
pegou de surpresa e não consegui reagir. Juro que na hora
pensei que era uma brincadeira. Mas não. Ela realmente se
sentia superior por que vivia no berço da civilização.
Tudo bem, também considero que o Brasil, a América do Sul
em geral, continua longe do Primeiro Mundo, mas nem por
isso vou desdenhar o lugar onde nasci. Esta mentalidade
preconceituosa compromete qualquer “ar” de civilidade
aparente. Pessoas assim podem morar seja lá onde for, que
nunca irão aprender o básico: não importa onde vivemos ou
onde nascemos os princípios são os mesmos e um pouco de
humildade nunca faz mal a ninguém.
02/03/2008 |
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Quem precisa de
cotas?
por Michael Milman
Quando se
começou a discutir a política de cotas, tanto para
estudantes de escola pública como para pessoas negras,
insurgiram-se, imediatamente, aqueles que se
posicionaram contra ela, alegando que se cometeria uma
discriminação em relação àqueles que, por mérito,
ingressariam na universidade, pois esses teriam
argumentos (pontuação) melhores que seus concorrentes
cotistas. A justificativa da existência das cotas é de
natureza social; os que a defendem alegam tratar-se de
um problema de origem sócio-econômica o qual nem o
Estado nem suas instituições (como as universidades
públicas) deveriam ficar indiferentes. Esse problema
constitui-se na dificuldade de alunos de escolas
públicas e de cor negra ingressarem, por vias normais,
na Universidade. Pois bem, muito se debateu se a criação
das cotas seria a medida correta para solucionar, ou ao
menos combater, o referido problema social, mas pouco se
discutiu sobre qual a maneira de aplicar essa política,
ou seja, como se daria a efetivação de uma ação tão
ampla e importante na vida de muitos candidatos
(cotistas e não-cotistas), sem mencionar pais, mães e
familiares em geral que, naturalmente, acompanham o
vestibular. A questão da aplicação técnica das cotas não
foi devidamente pensada, relegada ao segundo plano uma
vez que o ponto central (a da existência ou não dessa
política) parecia já resolvido. Infelizmente, o que se
viu, muito tarde para inúmeros alunos, foi que as
maiores injustiças foram cometidas em função de vários
erros de avaliação: Colégios públicos de reconhecida
excelência como Colégio Militar e Tiradentes, ambos de
Porto Alegre, por exemplo, foram incluídos na definição
de escola pública sem nenhuma ressalva, quando é notório
que esses não necessitam da vantagem cotista para
fazerem seus alunos passarem no vestibular; na
Universidade Federal do RS (UFRGS) houve outras
distorções evidentes: 21 vagas reservadas aos
afro-descendentes que concorreram ao curso de Medicina
não foram preenchidas e, contrariando a lógica da
meritocracia, destinaram-se, todas, aos egressos de
escola pública, a exemplo do que ocorreu em treze outros
cursos. Esses erros graves de avaliação produziram um
sentimento de revolta naqueles que foram,
flagrantemente, injustiçados por um sistema que,
ironicamente, existe para produzir maior justiça social.
Afinal, qual é o senso de justiça que, realmente, vigora
na UFRGS?
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25/01/2008
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